Analisando os resultados das urnas, algumas reflexões apontam com clareza em alguns momentos o sentido do julgamento e punição e em outros momentos recados que servem como alerta à toda classe política, tanto à parcela que deixará os cargos, quanto, especialmente, aos que assumirão os rumos do nosso estado e do Brasil.
No nosso entendimento, o eleitor, apesar de ainda precisar avançar, já dá demonstrações claras de que está mais atento a cada dia e de que está escolhendo melhor, pelo menos pensando um pouco mais.
1) – E por falar em pensar um pouco mais, aqui vai a nossa primeira reflexão: o Voto Marina. Para mim, significou que a sociedade brasileira passou uma mensagem de que precisava refletir mais. A impressão que tenho é que o voto dado a ela tinha dentro de si a conotação de que se enxergava uma eleição muito tumultuada no primeiro turno, com muitos candidatos para se pensar, refletir e escolher, mas que o voto à Presidência da República, necessitava de um pouco mais de atenção e reflexão.
2) – Recado à Micarla de Sousa. Em 2008, Natal deu carta branca à Micarla quando a elegeu logo no primeiro turno. Já agora, em 2010, a população a julgou e puniu com a derrota do marido Miguel Weber para deputado estadual e da Irma, Rose de Sousa, para deputada federal; e fez, justamente de Fátima Bezerra, principal oponente de Micarla e que concorria com Rose, a federal mais votada da eleição. Claro que Fátima recebeu nas urnas um verdadeiro reconhecimento pelo seu trabalho, mas também há o “voto do arrependimento” dado a MIcarla e não a ela em 2008.
3) – Por tabela, este recado serve como chamada de atenção à Governadora eleita Rosalba Ciarlini, que assim como Micarla, recebeu carta branca da população do estado em primeiro turno. Rosalba foi exaustivamente comparada a “uma nova Micarla” durante a campanha eleitoral, o que aumenta a sua responsabilidade. Rosalba terá chance de começar com o pé direito e de cara enxugar a máquina, já que foi eleita com um pequeno grupo e em primeiro turno.
4) – As urnas também fizeram papel de magistrado: julgaram e puniram o oportunismo de Luis Almir. Em 2006, o mesmo recado foi dado: quando o deputado fazia acirrada oposição à Wilma de Faria e em seguida apoiou justamente a ela nas eleições, a resposta popular quase não o reconduziu à assembléia e o mesmo só entrou por causa da votação dos demais deputados. Mas parece que o deputado não entendeu. Seu partido apoiava Rosalba e ele estava com Iberê Ferreira; na reta final, percebendo que Rosalba ganharia, passou para o lado dela e claramente o povo puniu o tipo de atitude com a sua derrota.
5) – As urnas puniram também a corrupção, derrotando um dos candidato que tinham mais estrutura na disputa estadual: o advogado Lauro Maia que precisava do mandato como um escudo de proteção devido aos escândalos em que o mesmo está envolvido: operações Hígia e Ouro Negro. É o recado de que nem sempre a estrutura funciona, se não houver trabalho a ser reconhecido e se a ficha não estiver limpa.
6) – Recado à Wilma de Faria, maior derrotada da eleição: sua administração foi reprovada pela população e também a sua forma de fazer política. Foi uma eleição onde muitos políticos “deram o troco” para mostrar que não se faz política olhando só para si, traindo e passando por cima de aliados.
7) – O Rio Grande do Norte também colaborou mandando um “Tiririca” para o Congresso. Paulo Wagner foi eleito deputado federal. Não um tiririca de votos, mas um tiririca do ponto de vista do perfil e do conteúdo. Até porque, deixa a Câmara com o dobro de votos de Paulo, Rogério Marinho, vítima do coeficiente eleitoral. Mas… há que diga que o gordo levará o mandato a sério e procurará ter vôo próprio.
8) – Reconhecimento à Robinson Faria, como fiel da balança. Desde 2006, se o mesmo tivesse apoiado Garibaldi, teria sido muito grande a probabilidade de o mesmo ter ganhado em primeiro turno para Wilma de Faria, que já em 2008 não soube reconhecer e expeliu da aliança de Natal o próprio Robinson e João Maia, que unidos colaboraram com a vitória de Micarla. Agora em 2010, nas prévias do próprio grupo, Robinson pontuava em torno de 15% contra 3% de Iberê que por estar no governo impôs seu nome como candidato, com o aval de Wilma de Faria. Robinson então agregou o seu capital eleitoral, a região agreste e o grupo de deputados liderados á candidatura de Rosalba finalizando a eleição em primeiro turno.
9) – As urnas julgaram e absolveram de José Agripino, engenheiro das articulações e do voto casado e confirmaram a sua imunidade, mesmo sendo exaustivamente apresentado pelos adversários como o anti-Lula. É hoje o político vivo com o maior número de mandatos majoritários e a não ter ficado sem mandato todo esse tempo, tendo sido prefeito de Natal, Governador duas vezes e senador três, partindo agora para o quarto mandato.
10) – As urnas que derrotaram Garibaldi em 2006 para o governo, contra Wilma, o recompensaram agora em 2010, com votação consagradora de mais de um milhão de votos. Estão aí também votos de reprovação ao governo Wilma.
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