Desbaratinados Politicamente?
Uma análise política…
Apesar de consciente de que nada mais deverá nos surpreender em se tratando de política partidária, sobretudo no nosso Rio Grande do Norte, portador de uma dosagem maior de criatividade, confesso que estou espantado com o posicionamento político da competente parlamentar, deputada federal Fátima Bezerra do PT.
Ocorre que lendo O Jornal de Hoje, em entrevista concedida ao jornalista Alex Viana, pude constatar uma série de contradições declaradas pela vice-presidenta nacional do PT.
Parece que Fátima esqueceu-se do filme que a mesma protagonizou na eleição passada, rumo à prefeitura de Natal. Em nome de um acordo de cúpula, que apontou seu nome como candidata da base de Lula, todas as bases partidárias, inclusive de seu próprio partido, foram implodidas.
Como que não aprendendo com a derrota, parece tentar costurar a formação de um mesmo cenário, com os mesmo aliados da famosa base de Lula, que agora devem se unir em todo o RN.
As bases partidárias, mais uma vez, querem falar e parece que alguns não estão enxergando isso, ou querem que a lição aprendida com a derrota seja uma matéria paga por outros partidos. Atitude tal, que assemelha-se a um comportamento de hipocrisia: façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço.
Pois bem, para ilustrar, relembro que um dos principais artesãos da formação do acordo de cúpula em 2008, foi o deputado federal Henrique Alves do PMDB, que agora, com o seu mandato correndo o risco de não ser renovado, repensa a estratégia na formação dos acordos de cúpula. Este percebe claramente que pode ser vítima do mesmo mal que esfacelou as bases partidárias nas ultimas eleições municipais.
Desta vez, como escrevi anteriormente, as coligações proporcionais ditarão os rumos da formação das chapas majoritárias. Tal movimento, já agrega também posicionamento do deputado federal João Maia do PR. Henrique e João dizem apoiar Iberê, mas com a coligação que acabam de formar com o PV da prefeita Micarla de Sousa, por uma questão de sobrevivência, na tentativa de renovação de seus mandatos, acabam enfraquecendo o atual governador que pretende disputar a reeleição.
A triste constatação de tudo isso é ler na imprensa declarações da deputada federal Fátima Bezerra, do PT, que cobra e sugere que os deputados unam-se em torno do nome de Iberê, afinados com Dilma Roussef, mesmo sabendo que isso porá em risco as candidaturas deles, ao passo em que a própria deputada e o seu partido não topam fazer o mesmo sacrifício para fortalecer a candidatura de Iberê.
Ou será que o PT teria coragem de manter a coerência do discurso e compor chapa para deputado estadual com o PSB? Claro que não! Isso poria em risco a renovação do mandato de Fernando Mineiro.
E para federal? Será que esta chapa poria também em risco a renovação do mandato da deputada? Ampliando o questionamento, será que Fátima e Sandra Rosado, sem contar no cenário com Wilma de Faria candidata à deputada federal, teriam votos suficientes de legenda para renovarem seus mandatos?
Sobrevivência por sobrevivência, isso poderia até mesmo empurrar Sandra Rosado para um acordo de bastidores com a prima mossoroense Rosalba Ciarlini Rosado. Ora, se os primos Alves e Maias de Natal conversam, porque os de Mossoró não podem?
Enfim, tais condições já foram impostas pelo PT ao governador Iberê Ferreira, que aceitou e como parte de um aparente acordo deu um jeito de dar à Fernando Lucena, presidente municipal do PT, um efêmero assento na Câmara Municipal de Natal e endossará provavelmente a candidatura de Hugo Manso ao senado federal.
Como cobrar coerência dos outros partidos e políticos que estão fazendo saladas de coligações para assegurarem a sua sobrevivência, se a sua postura não é tão diferente assim?

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