De Lisótima para Natalinda
Há 10 anos aprendi a chamar Lisboa de Lisótima, por constatar que aqui se pode andar na rua sem constrangimentos, com paz e tranquilidade.
Parece com a nossa Natal de 40, 50 anos atrás, mesmo o tamanho atual da população sendo semelhante.
Podemos parar nos sinais de trânsito e não sermos abordados; podemos atravessar as ruas e os carros brecam em respeito ao pedestre; podemos transportar valores, malas e adereços sem sermos incomodados com assaltos e atos inconvenientes; podemos deixar o automóvel aberto e não nos levam nada; podemos sair de noite, à pé, para fazermos supermercado e voltarmos à casa puxando o carrinho de compras e, enfim, podemos viver sendo gente e em paz…
Quando estou em Lisótima, sempre curtindo o meu melhor hábito, o de trabalhar, sinto-me como se tivesse em férias, mesmo sem nunca estar, até porque com internet ninguém, se assim o desejar, pode estar…
Meu Deus, quanta diferença da minha Natalinda, nossa Natal linda!!!
Aí, quando estou em Natal, cidade em que nasci e que a tantas de suas administrações dei o meu maior esforço de trabalho, com dedicação e amor…
Pois, minha Natalinda, sofro para compensar as dores de lhe constatar desatenta ao viver diário dos seus habitantes, mas sei que é uma cidade bela, pujante pelo seu desenho costeiro, com seu Parque das Dunas, e por ter uma população criativa e inovadora.
Mas fico triste por me admoestarem tanto porque sozinho caminho da minha casa ao escritório, ida e volta; pelo risco de andar a pé e os assaltos do dia-a-dia; do morticínio sucessivo noticiado; da falta de otimismo do seu olhar o amanhã; da não convergência dos objetivos de gestão em função das prioridades urbanísticas dos seus habitantes; da falta de visão no sentido dos resultados dominantes e, por fim, da tristeza de saber que tudo tem jeito mas somente jeito não chega!
Tem que se saber fazer, saber criar o ambiente para tudo acontecer…
Autor: Ezequias Pegado Cortez
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