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    Os Zumbis Políticos, o Diabo e a Democracia

    Foto: Robson Carvalho

    O Brasil está vivendo um dos momentos mais importantes de sua História. Estamos há poucos dias da tomada de decisões que serão influenciadas pelo resultado de uma equação, carregada de um conjunto de sentimentos presentes nos corações e mentes dos brasileiros.

     

    Em tempos de disputas acirradas, é possível observar que muitos tomam para si a manifestação de seu voto como algo pessoal, que induz a uma escolha mais emocional que racional. O voto, que deveria ser fruto de uma escolha cidadã, pensada e refletida, dá lugar a uma espécie de arma de vingança contra inimigos criados no imaginário popular. 


    Desde os primeiros aos mais recentes pensadores e filósofos políticos da história de humanidade, é possível perceber em seus ensinamentos uma reflexão: não se deve fazer escolhas, tomar decisões, fazer política ou mesmo votar com raiva, com ódio. Esses sentimentos, cegam de um modo tão perfeito as vítimas deste veneno da alma e da democracia, que elas chegam a ter a falsa sensação de que estão conscientes do que estão fazendo. Tal estupidez é órfã do diálogo, fruto da ignorância e mãe da intolerância.


    Neste campo fértil, são plantadas as sementes do pecado preferido do diabo: a vaidade, que impede o próprio ser humano de questionar “suas” convicções. E digo “suas” porque é muito comum observar nas redes e mídias sociais ou no dia a dia, nas discussões entre os cegos zumbis, uma multidão deles que repetem milhares de falsas informações e notícias, sem saber de onde vieram, quem as criou e com quais intenções.


    Em tempos de forte analfabetismo político, se confunde política com futebol e há quem promova a qualquer custo a briga entre as torcidas organizadas. Todo tipo de milacria que ataque o candidato opositor e fale bem do meu, é bem aceito, como se fosse verdade. Semelhante a um jogo entre Flamengo e Vasco, o torcedor até vê o jogador do seu time cometendo uma falta no adversário, mas finge que não vê e chama logo um palavrão com o juiz – caso o mesmo marque o pênalti – pois hoje em dia tem juiz que deixa de ser árbitro para ser jogador.


    Desde 2013, venho alertando e perguntando: a quem interessa um Brasil dividido? Quem ganha com isso? Maquiavel, um dos grandes mestres mundiais em análise e estratégia política, há mais de 500 anos já apontava que para conquistar e dominar, é preciso dividir. E, para dividir, a estratégia mais comum é gerar e incentivar a discórdia.


    Atualmente, um dos instrumentos usados para influenciar e dividir os zumbis políticos, tem sido as redes e mídias sociais, que, movidas por tecnologias que se alimentam de algorítimos e robôs, passam a entregar aos usuários uma chuva de notícias falsas ou verdadeiras, de acordo com a “sua” tendência política. Quanto mais você clica e lê algo sobre “um time” da política, mais recebe informações desse time. Sua mente vai sendo “formatada” e a “sua” opinião vai sendo formada com apenas um lado da moeda. 


    Assim, as pessoas passam a ser manipuladas sem perceber e o pior: crentes que estão conscientes do que estão fazendo e de que estão defendendo a “sua” opinião por convicção. Fecham-se em bolhas de cores diferentes e quando uma se encontra com a outra, temos um choque e elas estouram, pois não percebem que ter opinião, nem sempre significa ter razão.


    Qual o resultado disso tudo?

     

    Os zumbis políticos seguem sem noção, sem nação e sem rumo.

    O diabo ri.

    A democracia chora.

     

     

     

    * Robson Carvalho é graduado e mestre em Ciências Políticas, licenciado em Sociologia e especialista em Gestão Pública pela UFRN. É palestrante, autor dos livros Manual do Cidadão e Política e Família no RN: Alves, Maia e o suporte do Senado, além de apresentador diário de programas de Rádio e TV.

     

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